“Monasterio de El Escorial” em San Lorenzo – Espanha

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    “Real  Sitio de  San Lorenzo de El Escorial”  junto ao Monte Abantos na  Serra da Guadarrama                                             Site: Enciclopédia Biográfica de Arquitetas e Arquitetos – Digital (EBAD)

Distante 45 km a noroeste de Madri, o “Monastério de El Escorial”  é um símbolo do chamado “Século de Ouro da Espanha”, que ficou marcado pela relevância  política, prosperidade econômica (graças às grandes navegações e as riquezas provenientes da descoberta das Américas e das novas rotas para as Índias) e potência militar espanhola. O período coincide com a ascensão da  dinastia Habsburgo ao trono, abrangendo o reinado de Carlos I (1516/56) –  que tornou-se Carlos V (1519/ 56) como Sacro Imperador Romano Germânico  –   e seu filho e sucessor Filipe II (1556 – 98).

080 - Jardim e Monastério

Canteiros geométricos no jardim do Monastério de El Escorial”

Nessa fase áurea, surgiram grandes pintores como  Juan de Juanes (1510-79); Luis de Morales (1515-86); Francisco de Zurbarán (1598-1664) e os mais famosos: Diego Rodríguez y Velásquez (1599 – 1660) e Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como “El Greco” (1541 – 1614).

Na literatura, destacaram-se: Pedro Calderon de la Barca (1600-81) dramaturgo e poeta;  Francisco Gómez de Quevedo y Santibáñez (1580 – 1645) poeta e escritor ; Félix Lope de Vega (1562 – 1635), criador de diversas peças teatrais, assim como Tirso de Molina (1581-1648) e Miguel de Cervantes (1547 – 1616) autor do clássico “Dom Quixote de la Mancha”.

Essa introdução é importante para contextualizar a construção do complexo monástico, declarado Patrimônio Mundial da Humanidade em 1994, que acolheu inicialmente os monges da Ordem de São Jerônimo e depois agregou uma Basílica, um Panteão (mausoléu), dois palácios, uma escola, um seminário e uma biblioteca.

082 - Real Colégio de Alfonso XII

Entrada do Real Colégio de Alfonso XII no “Monastério de El Escorial”

O tombamento pela UNESCO abrangeu tanto a área original, erguida sob o reinado de Filipe II,  como as ampliações e adaptações posteriores, feitas por determinação de Carlos III.

A origem do nome “El Escorial” (que significa escória) advém dos depósitos de resíduos, descartados por antigas fundições existente nos arredores e, pela conotação da palavra, não faz justiça à  beleza do lugar  –  situado na parte ocidental da  Serra de Guadarrama, a 1.055 m. de altitude, na encosta do Monte Abantos.

As altas montanhas que rodeiam a cidade pelo norte e oeste propiciam  condições climáticas favoráveis (com verões mais amenos), tornando o passeio bastante agradável, seja pela bela paisagem, por suas praças bem cuidadas, ruas arborizadas ou pelas construções que lembram a origem real e o papel que a localidade desempenhou para a monarquia espanhola.

083 - Av Juan de Borbón y Batem- berg e a Serra de Guadarrama

A bela paisagem que envolve o aprazível  ‘San Lorenzo de El Escorial”

No século XVIII o rei Carlos III encarregou o arquiteto Juan de Villanueva (expoente do neoclassicismo espanhol) de construir várias residências para acomodar a  numerosa comitiva que o acompanhava nas caçadas. Os primeiros trabalhos de Villanueva em San Lorenzo foram as casas do cônsul da França e do Marquês de Campo Villar, ambas refletindo o “estilo herreriano” na austeridade das fachadas.

076 - Casa del Marques de Campos de Villar

Casa do Marquês Campos Villar (com placa de identificação na fachada)

A “Calle Floridablanca”  sintetiza bem a  acolhedora cenografia que caracteriza a cidade e situa-se bem próxima da Av. Juan de Borbón y Battemberg (endereço do Mosteiro de “El Escorial”).

100 - Calle Florida Blanca

A “Calle Floridablanca”  é o cartão de visita da cidade de  San Lorenzo

A origem do Monastério representa uma celebração à vitória da Espanha sobre as tropas do rei Henrique II da França, na Batalha de San Quintín, ocorrida em 10 de agosto (dia de San Lorenzo)  de 1557.

No entanto, o rei Filipe II propôs múltiplas finalidades para a edificação: sede de congregação religiosa, um mausoléu para seus pais (o imperador Carlos I / V  e Isabel de Portugal) e seus sucessores, local de descanso da Corte e, posteriormente, residência oficial do monarca,  além de abrigo para um extenso acervo artístico e científico.

       O complexo do “Monastério de El Escorial” com área de 35.000 m²                                      Imagem do site: http://baulitoadelrte.blogspot.com

A pedra fundamental foi lançada em 23 de abril de 1563, com projeto de Juan Bautista de Toledo, que morreu pouco depois (em 1567). Seu discípulo, Juan de Herrera, assumiu as obras (concluídas em 1584) e imprimiu um estilo austero,  conhecido como “herreriano”, que muito influenciou a arquitetura espanhola no século XVI.

084 - Fachada do Mosteiro

“San Lorenzo” obra de Juan Bautista Monegro na fachada oeste

Presume-se que a referência arquitetônica da planta inicial tenha sido a descrição do Templo de Salomão, feita pelo historiador Flávio Josefo.

Detalhe do «traço universal» no manuscrito da História dos Jerónimos, de Fray José de Sigüenza, Biblioteca Real, Mosteiro de El Escorial

Documento  sobre a planta preliminar do Mosteiro                                     Imagem do site: www.delacuadra.net

Mas, ao assumir o trabalho, o arquiteto Herrera eliminou as seis torres interiores das fachadas, duplicando assim a área delineada por seu antecessor para melhor distribuir as diversas funções pretendidas pelo rei. Curiosamente, o novo desenho realçou a forma de uma grelha –  justamente o instrumento do suplício de São Lourenço.

A base da edificação é um retângulo com área de 35.000 m² tendo em cada um dos seus ângulos uma torre de 55 m. de altura, finalizada com uma cobertura pontiaguda feita em ardósia.

Gravura da  planta baixa de El Escorial  (1726)                              Sites: www.khanacademy.org    e   www.rijksmuseum.nl

No dia 7 de junho de 1671 ocorreu um grave incêndio, que consumiu os telhados e os pisos de madeira. A reconstrução foi prontamente iniciada, sendo concluída em 1677, pautada por um projeto de Bartolomé Zumbigo, prefeito da Catedral de Toledo, que devolveu ao Mosteiro sua aparência externa original, com pequenas alterações no desenho das torres.

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     “Incendio del Monasterio de El Escorial en 1671″   –   Museu do Prado                                                        Imagem do site : commons.wikimedia.org

A monumentalidade da construção pode ser  referenciada por números: 9 torres, 11 pátios principais e três secundários; 4.000 dependências (quartos, salas e salões); 1.250 portas, 2.673 janelas, 15 claustros, 5 refeitórios, 13 oratórios, 300 celas monacais, 86 escadarias, 11 cisternas, 88 fontes e 540 afrescos. Abriga um acervo igualmente vasto: 73 estátuas, 1.600 pinturas, 5.000 manuscritos (códices) e cerca de 45.000 livros na biblioteca, além de 7.422 relíquias de santos (procedentes dos mais diversos lugares).

A decoração interior foi realizada por notáveis artistas espanhóis e italianos, dos séculos XVI e XVII, dentre os quais: Claudio Coello (pintor barroco espanhol), El Greco (pintor, escultor e arquiteto grego que residiu na Espanha)  e Luca Giordano (pintor italiano), dentre outros.

Destacam-se também as tapeçarias e as telas do artista holandês Jeroen van Aeken, cujo pseudônimo é Hieronymus Bosch (“El Bosco”, em espanhol), notadamente: “ Cristo carregando a cruz” e “A coroação de espinhos”.

Os afrescos foram em grande parte realizados pelos italianos  Pellegrino Tibaldi  e Federico Zuccaro (ambos arquitetos e pintores maneirista).

Dignas de admiração são também as portas feitas em marchetaria, em especial um conjunto de cinco peças procedentes de Augsburg, na Alemanha, feitas entre 1562-68, que teriam sido presenteadas pelo imperador romano-germânico  Maximiliano II para o rei Filipe II e que foram instaladas nos aposentos reais do Mosteiro  em 1572.

A porta da Biblioteca  é um  outro magnífico exemplar dessa arte.

092 - Porta principal da Biblioteca

Porta principal da Biblioteca do Mosteiro de “El Escorial”

INFORMAÇÕES PARA A VISITAÇÃO

Os ingressos podem ser previamente adquiridos pela Internet, para evitar filas e ter o acesso facilitado.

O “Monasterio de El Escorial” oferece um aplicativo com conteúdo audiovisual (em 16 idiomas), com  dois percursos de visitação. Existe inclusive a possibilidade de  alugar um tablet, na entrada,   para poder utilizar o App.

Grupos turísticos e culturais acompanhados de guia oficial próprios deverão utilizar, obrigatoriamente, dispositivos adequados (microfone e receptores auriculares), que estão disponíveis para locação (ao custo de 1,50 euros por pessoa) no balcão de recepção do Mosteiro.  Tanto a reserva como o pagamento  podem ser efetuados no  site da instituição. O empréstimo é gratuito para grupos educativos.

SALA DAS BATALHAS

Inicialmente designada Galeria Real, está estrategicamente localizada no piso principal, do lado sul dos Aposentos Reais, fazendo a comunicação com a Basílica e o Colégio. Era o espaço destinado aos concertos musicais, apresentações teatrais e outros eventos da Corte, dada a amplitude do salão: 55 m. de comprimento por 6 m.  de largura,  7 m. de altura.

A denominação atual é uma referência às pinturas que recobrem as paredes, cuja temática são os principais triunfos bélicos do exército espanhol: “A Batalha de Higueruela”, vencida por Juan II de Castela contra os mouros de Granada, na Sierra Elvira, em 1431 (que ocupa a parede principal); “A Conquista da Ilha Terceira” (desembarque da Marinha Espanhola na Baía das Mós, em 1583) e “Batalha de San Quintín” (entre as janelas).

 Sala das Batalhas, antiga Galeria Real,  do “El Escorial”        Imagem do site: –  http://baulitoadelrte.blogspot.com

É uma sala de planta retangular, com nove janelas na parede sul (com pintura em cada um dos dez espaço entre elas). A parede norte não tem janelas (apenas duas portas) apresentando uma  sucessão de episódios e formações militares.

A decoração pictória foi iniciada em 1585, porém, em decorrência de numerosas interrupções  foi concluída somente em 1589. Os artistas que atuaram nesse trabalho foram: Fabrizio Castello, Niccolò Granello, Lazzaro Tavarone e Orazio Cambiasi.

Entre 1882 e 1890 foi realizada uma minuciosa restauração das pinturas por Runesindo Martín e seus filhos.

O teto, decorado com motivos em estilo grotesco, também chama atenção pela beleza.

PALÁCIO DOS AUSTRIAS (HABSBURGOS)

Situado no lado norte do complexo de “El Escorial”, foi o local de residência do rei Filipe II, quando passou seus últimos anos de vida no “Real Sitio de San Lorenzo de El Escorial”, atribuindo à localidade uma referência de poder político no cenário internacional.

093 - Palácio de los Austrias

Vista externa do Palácio dos Austrias na ala norte do “El Escorial”

Nas salas de recepção, que antecedem os quartos da Família Real, as paredes são parcialmente revestidas com azulejos de Talaveira (séculos XVI e XVII) e exibem inúmeras pinturas, tapeçarias e objetos interessantes, como por exemplo: duas cadeiras de madeira, dobráveis, fabricadas na China durante a Dinastia Ming (1570)  e uma espécie de liteira utilizada para transportar o rei Filipe II (na fase mais aguda de sua doença) para o “Monastério de El Escorial”.

Aposentos Reais ou “Casa del Rey”

A privilegiada disposição das dependências reais (compostas por dois pavimentos ao redor do Pátio dos Mascarones e do Presbitério da Basílica) permitia ao monarca Filipe II acompanhar a missa (através de uma janela com vista para o altar), mesmo quando deitado em sua cama, acometido de crises de gota – uma doença inflamatória incapacitante que provoca dor intensa nas articulações.

Normalmente, o rei assistia as missas no oratório, decorado com mármores e pinturas de grandes artistas, situado entre seu dormitório e o presbitério.

No quarto do rei ainda pode ser vista a cama na qual Filipe II faleceu, em 3 de setembro de 1598, instalada sobre uma plataforma de nogueira, revestida com tapeçarias flamencas.

     Leito de morte do Rei Filipe II, revestido com tapeçarias flamencas                                                  Imagem do site: http://www.jdiezarnal.com

Os aposentos da rainha e dos filhos do casal localizam-se no lado oposto aos do rei, com a mesma configuração.

Os ambientes, decorados com sobriedade, apresentam móveis de época (alguns dos quais são réplicas) e obras de arte da escola espanhola do início do século XVIII, das escolas flamengas do século XVI e XVII e das escolas italiana e veneziana do século XVI.

Linhas Meridianas

No Palácio dos Habsburgo existem duas linhas meridianas (com cerca de 5 m de comprimento por 15 cm de largura), feitas em 1755 pelo jesuíta e matemático húngaro Juan de Wendlingen,  embutidas no pavimento da Sala do Tribunal do Rei e na sala adjacente.

Mas o gnomon (orifício a cerca de 2 m. de altura na parede) está fechado, impedindo que o facho de luz solar penetre e se projete num ponto da linha meridiana, conforme foi projetado.

PÁTIO DOS MASCARONES

Criado por Juan Batista de Toledo, foi assim batizado devido às duas fontes com formas de máscaras (afixadas na parede)  por onde jorram jatos de água. Possui três galerias, no lado oeste, com teto composto por abóbodas mais simples.

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          “Pátio dos Mascarones” do “El Escorial” com as duas fontes de mármore                                                                   Imagem do site: commons.wikimedia.org

PALÁCIO DOS BOURBONS

No século XVIII tem início a dinastia dos Bourbons na Espanha, responsável pelas adaptações realizadas numa ala palaciana (que já havia sido remodelada por Carlos III) para  instalar a nova residência, mais condizente com a sofisticação e o espírito festivo dos novos monarcas.

Os ambientes possuem  uma decoração luxuosa, observada nas paredes forradas com belas tapeçarias (feitas pela Real Fábrica de Santa Bárbara e outras procedentes de Flandres, da França e Itália), ricas peças de mobiliário e várias obras de arte.

Palacio de Los Bourbons - Monasterio de El Escorial

               Suntuosa decoração do Palácio dos Bourbons  no “El Escorial”                                    Imagem do site oficial: www.patrimonionacional.es

Situado também no lado norte do complexo de “El Escorial”, o Palácio é acessado por uma escadaria monumental, construída no reinado de Carlos IV pelo arquiteto Juan de Villanueva.

SALÃO DOS SEGREDOS

Na verdade, trata-se de uma passagem abobadada, que interliga o vestíbulo da Basílica ao Panteão, sem uma ornamentação mais elaborada, sendo por isso  confundido  com um simples corredor.

Ali ocorre o fenômeno acústico de propagação do som pela estrutura de alvenaria,  de tal forma que é possível ouvir nitidamente o que é dito em voz baixa por quem está à distância.

PANTEÃO REAL

Uma sequência de escadas conduz ao subsolo, onde há um salão situado exatamente abaixo do altar principal da Basílica.

A importância desse local  não se restringe ao significado histórico, pois também abriga a única obra de Gian Lorenzo Bernini em solo espanhol: “Cristo Crucificado”, feito em bronze dourado, por encomenda do rei Filipe IV (entre 1654/1657).

“Cristo Crucificado”  obra  de  Gian  Lorenzo  Bernini   na Cripta  Real                                           Imagem do site : https://commons.wikimedia.org

Na Cripta Real estão 26 túmulos em mármore de Toledo polido, com adornos de bronze dourado. Na  parede à  esquerda enfileiram-se os reis e à direita apenas as rainhas que foram mães de monarcas.

O espaço reúne os representantes das dinastias  Áustria e Bourbon, desde Carlos I e sua esposa Isabel de Portugal até Juan de Borbón e sua esposa Maria das Mercês de Bourbon-Duas Sicilias e Orleans  (pais de Juan Carlos I), exceto por alguns  monarcas sepultados em outros locais como  Felipe V (“La Granja de San Ildefonso); Fernando VI (“Salesas Reales”, em Madri), assim como Amadeu I, da Casa Saboia (Basílica de Superga, em Turim) e José I , irmão mais velho de Napoleão Bonaparte, que reinou de 1808 a 1813 (“Hôtel des Invalides”, em Paris).

O arquiteto José Segundo de Lerma foi encarregado de construir o Panteão dos Infantes  destinado aos filhos não primogênitos e as esposas reais que não tiveram filhos coroados.

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   “Panteão dos Infantes” – cripta real que abriga cerca de 100 túmulos                                                               Imagem do site:  es.wikipedia.org

  As estátuas dos arautos foram feitas por Ponciano Ponzano Gascón                   site: http://www.jdiezarnal.com/monasteriodelescorial.html

Essa obra, realizada no período de 1862 a 1888, é composta por uma sequência de nove salões que conduzem a uma última sala, com paredes e pavimento em mármore branco, onde uma  tumba circular central dispõe de sessenta nichos,  dos quais trinta   e seis estão ocupados com os restos mortais de filhos de reis que faleceram antes de atingir a puberdade.

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   Tumba circular dos filhos de monarcas que morreram na infância                                                    Imagem do site: commons.wikimedia.org

É interessante ressaltar que os nichos e túmulos contêm apenas caixas de chumbo com os ossos.

O processo de decomposição dos corpos (num período de 24 a 40 anos), cobertos de cal, ocorre numa outra área chamada “Podridero” –  contígua ao Panteão.

PINACOTECA / MUSEU DA PINTURA

Os espaços, pavimentados com mármore branco e cinza, situados abaixo das Salas Reais do Palácio dos Austrias (conhecidos como “Palácio de Verão),  foram adaptados, em 1964, para organização e exposição da coleção de quadros abrigados no “El Escorial”.

         Pinacoteca  no antigo “Palácio de Verão” do Mosteiro “El Escorial”         Imagem do site “Baúl del Arte” –  http://baulitoadelrte.blogspot.com

O percurso de visita compreende:

Antesala de Honra

Decorada com duas tapeçarias: “Deus envia o Anjo Gabriel à Virgem Maria” e “Tribulações da Vida Humana”  inspirada na obra “A Carruagem de Feno” de Bosch (ou “El Bosco”).

É onde pode ser vista a emblemática obra “São Miguel  conquistando o Diabo”, encomendada por Carlos II em 1692 à artista Luisa Roldán (ou “La Roldana”), escultora barroca espanhola, agraciada com o título “Escultora de Câmara”.

Foto: http://historiasdelahistoria.com

São Miguel  conquistando o Diabo” de Luisa Roldan (séc. XVII)              Imagem: Carlos Osorio – Site: caminandopormadrid.com

Salão de Honra:

O espaço medindo 16 m. de comprimento por 9,5 m. de largura expõe a série de tapeçarias “Panos de Ouro”, produzida pelo tecelão flamengo Pierre van Aelst e adquirida pela Rainha Joana de Castela em 10 de agosto de 1502.

Outro destaque é a pintura “O Martírio de São Mauricio e a Legião Tebana” de Domenico Theotocopoulos – “El Greco”.

Sala 1: Pintura italiana

Estão reunidas as obras produzidas na Itália, durante os séculos XVI e XVII, com ênfase para a escola veneziana, tais como:  “Santa Margarida e o dragão”  atribuída a Ticiano;  “O Pai Eterno e o Espírito Santo”  de Veronese;  “A descida da cruz”   e  “Adoração dos Reis” – atribuídas a Veronese  e  “A Conversão de Magdalena” – atribuída a Tintoretto.

Sala 2: Pintura flamenga

Engloba produções artísticas dos séculos XVI e XVII , onde podem ser destacadas: – “A Virgem Maria com o Menino”  e  “Sagrada Família” – cópias de Anton van Dyck;  “ A Imaculada Conceição”   e  “ O Jantar de Emaús” – cópias de Rubens

Sala 3: Michel Coxcie (pintor belga, apelidado de “Rafael flamenco”)

O artista foi pintor de câmara do imperador Carlos V e, por ser muito considerado por Filipe II,  trabalhou na decoração do “Monastério de El Escorial”.

Destaque para as obras “Embarque na Arca de Noé” (1555)  e “Queda no Caminho do Calvário

“O Embarque na Arca de Noé”  do pintor romanista Michel Coxcie  Imagem: www.patrimonionacional.es

Sala 4: Obras primas

A antiga “Galeria Paseo” do Palácio de Verão, decorada com seis grandes pinturas de Luca Cambiasso representando a “Batalha de Lepanto”, acolhe importantes obras como:  “El Calvário” (séc. XV)  de Rogier van der Weyden;  “ A Anunciação” de Paolo Veronese;   “Martírio de Santiago”  de Juan Fernández Navarrette (“El Mudo”) e  “Adoração dos Pastores”  de Jacopo Tintoretto.

“O  Calvário” de Rogier Van der Weyden (séc.XV)      Imagem do site : www.patrimonionacional.es

Sala 5: Pintura Espanhola

Estão em exposição pinturas espanholas do século XVII, notadamente da Escola de Madri (fortemente influenciada por Velásquez), com artistas como José de Ribera; Bartolomé Carducho,  Francisco Zurbarán.

Salas  6 a 9:

Apresentam obras de artistas espanhóis do século XVI, italianos e flamencos dos séculos XVII e XVIII, dentre as quais:  “Jesus Nazareno”  e  “Nascimento de Jesus Cristo”  de Lucas Jordão; “Paisagem com São Cristóvão e o menino” de Joachim Patinir ;  “A Sagrada Família” e “São Jerônimo Penitente” de  Juan Fernández de Navarrete;  “Retrato da Rainha Mariana da Áustria” (segunda esposa de Felipe IV) – atribuída à oficina de Claudio Coello.

Essa ala também abriga telas com temática floral e naturezas mortas pintadas entre os séculos XVII e XIX.

MUSEU DA  ARQUITETURA

Criado em 1963, para comemorar o quarto centenário da colocação da pedra fundamental da edificação, encontra-se instalado em onze salas, situadas no  porão.

A exposição foi organizada em duas áreas: a primeira  enfoca o planejamento, a elaboração de projetos e outros documentos  enquanto a segunda exibe ferramentas, equipamentos e materiais utilizados na construção do  “Real Mosteiro de San Lorenzo de  El Escorial”.

O percurso de visitação compreende:

Galeria de Projetos e Modelos

Sala 1:

Evoca a inspiração para o projeto, apresentando planos de diferentes edifícios reais e mosteiros espanhóis, bem como documentos históricos como um fac-símile da primeira edição em espanhol do Tratado “I Sette Libri dell’architettura”  do arquiteto italiano Sebastiano  Serlio.

Exibe  também uma maquete do Mosteiro realizada por León Gil de Palácio.

Sala 2:

É decorada com um afresco de Vaquero Turcios, feito em 1963, retratando o rei Felipe II segurando uma rosa (símbolo da Arquitetura).

Além de desenhos e projetos iniciais, apresentados por Juan Bautista de Toledo ao rei Felipe II,  encontram-se descrições topográficas do sítio definido para a construção e as plantas de outros dois Mosteiros dos Jerônimos:  em Cáceres (Guadalupe) e Segóvia (El Parral).

Sala 3:             

O destaque é a maquete elaborada conforme desenho de Hatfield.

Sala 4:

Dentre outras referências e materiais originais da edificação encontram-se os restos do telhado da Torre das Damas (devastado pelo incêndio).

Sala 5:

Apresenta as alterações e expansões realizadas durante o século XVIII, tais como o Panteão Real, assim como modelos para a construção da escadaria principal e das torres.

Sala 6:

Resquícios do Monumento da Semana Santa, erigido por Juan de Herrera, dividem o espaço com uma maquete produzida nas Oficinas do Patrimônio Nacional.

Galeria de Ferramentas e Máquinas

Pode ser observada uma vasta coleção de ferramentas e máquinas usadas nas diferentes etapas da construção do complexo monástico, tais como: misturadores usados para preparar cal, panelas nas quais eram derretidos metais, cortadores de madeira, brocas, além de uma espécie de guindaste projetado por Juan de Herrera. Dos materiais empregados na obra constam granito, tijolos, ardósia e madeira (com ênfase no trabalho de carpintaria).

O destaque é a reprodução da pedra fundamental do Mosteiro Real.

PÁTIO REAL

Dotado de dois tanques subterrâneos para armazenagem de águas pluviais, tem o estilo típico de edificações palacianas: pórticos no piso térreo e varandas no piso superior.

087- Monastério Pátio interno

Pátio dos Reis no ” Monastério de San Lorenzo de El Escorial”

No reinado de Carlos III e de Carlos IV foi bastante modificado, com obras realizadas por Juan de Villanueva (em 1781).

Através das 46 pinturas gigantes estão ilustrados desde o nascimento da Virgem até o Juízo Final.

JARDIM DOS FRADES

079 - Jardim do Monastério

Jardim dos Frades do Mosteiro “El Escorial” com o pomar ao fundo

Criado por determinação de Felipe II, que concebia seus jardins não apenas como espaços contemplativos mas também produtivos (agregando vegetais e plantas medicinais em sua composição), é citado nas obras “Memórias” e “O jardim dos frades” de Manuel Azaña (escritor e político espanhol), que estudou no colégio sediado no Mosteiro.

É o único que pode ser visitado, a despeito da vastidão das áreas verdes ao sul e a  leste do Mosteiro, onde estão os   “jardins privativos do rei e da Rainha” , o pomar e o bosque.

Com traçado estreito, alongado e elevado (em decorrência da topografia do terreno), reserva a parte inferior aos pomares e já não apresenta a mesma diversidade de espécies que o havia  tornado um autêntico jardim botânico. Consta que até 68 variedades de flores foram cultivadas (muitas delas para fins medicinais), além de 400 espécies trazidas do “Novo Mundo”, porém, desde o século XVIII predomina o buxo (espécie arbustiva muito usada nos jardins geométricos).

GALERIA DOS CONVALESCENTES OU CORREDOR DO SOL

Ligada ao Jardim dos Frades, a sóbria construção junto a Torre da Botica (em direção ao mercado de peixes), era um espaço arejado e com bastante incidência de luz onde os doentes eram cuidados.

CONVENTO

Por ordem expressa do rei Alfonso XII,  o Real Mosteiro de El Escorial foi confiado à comunidade de Padres Agostinianos em 1885 e assim  permanece até hoje.

A área do convento foi organizada em torno do claustro principal, dispondo de dois pavimentos ligados pela Escadaria Principal.

A entrada está localizada no Pátio dos Reis, no pórtico de entrada da Basílica.

Os espaços abertos à visitação pública são: Salão da Trindade, Escadaria Principal e  Salas Capitulares

SALÃO DA TRINDADE

Medindo mais de 16 m de comprimento e quase 10 m de largura, ostenta a tela “A Santíssima Trindade” (1635) do pintor espanhol  Jose de Ribera.

SALAS CAPITULARES

Antigamente eram usadas pela congregação religiosa para realizar reuniões (sempre iniciadas com a leitura de um capítulo das Sagradas Escrituras). No Mosteiro de El Escorial tornou-se necessário criar dois Capítulos: o Prioral e o Vicarial.

       Salas Capitulares  –  águia feita por Juan Simón de Amberes (1571)                                                    Imagem do site: http://www.jdiezarnal.com

No corredor e na Sala do Capítulo Vicarial estão as obras representativas do barroco espanhol de autoria de Velásquez (“A túnica de San José”),  El Greco e Ribera .

Na Sala do Capítulo Prioral foram  reunidas obras das escolas alemã, flamenga, veneziana, italiana e espanhola dos séculos XV a XVII de artistas como Ticiano (“San Jeronimo Penitente”) , Tintoretto, Veronese e Van Dyck (“O Martírio de São Sebastião”) , com uma relevante coleção de obras de Bosch (“El Bosco”), um dos pintores favoritos de Felipe II.

O teto é ornamentado por Francisco Urbino com o  tema “Julgamento de Salomão” e há um altar portátil (retábulo) feito no século XVI  em prata dourada, esmaltes e madeira, que era utilizado pelo rei Carlos V.

CLAUSTRO PRINCIPAL

Todo o  espaço conventual é organizado em torno de um grande pátio (Claustro Principal), projetado por Juan Bautista de Toledo, mas realizado por Juan Herrera (pois a construção teve início somente em 1569), além de quatro pátios menores, concebidos para os momentos de oração e meditação.

A construção abriga, além das celas dos monges (incluindo  a “Célula Prioritária” usada como sala de leitura e a “Cela do Bispo” que hospeda visitantes ilustres em visita ao Mosteiro) as seguintes dependências: dormitório dos leigos (atual “Aula Magna”); Sacristia; Espaço Morale (onde os monges se reúnem para estudar e discutir assuntos teológicos)  e “ El Camarín de Santa Tereza”, uma câmara construída em 1595 para guardar  quatro escritos da Santa de Ávila.

O claustro é considerado uma obra prima da Renascença europeia pela sua composição de ordem dórica romana no piso térreo e jônica na parte superior, que lhe atribui um classicismo monumental.

A decoração pictória demandou cinco anos de trabalho e foi iniciada por Luca Cambiasso, posteriormente substituído por Pellegrino Tibaldi (que desenvolveu sua técnica de pontilhismo nesta obra). A iconografia remete à “História da Salvação”, iniciando pela concepção da Virgem Maria até o Juízo Final.

Claustro - Monasterio de El Escorial

                       Afrescos na galeria do Claustro Principal em “El Escorial”                                   Imagem do site oficial:  http://www.patrimonionacional.es

Intempéries e restaurações mal executadas colocaram em risco o conjunto de pinturas. Na década de 1990 foi realizado um competente trabalho de recuperação.

Nos quatro cantos do claustro existem trípticos de madeira com a representação de importantes episódios da vida de Jesus (e que são abertos apenas durante as procissões).

IGREJA VELHA OU IGREJA DE PRESTADO

Utilizada pelos monges  para atividades litúrgicas privadas.

O altar principal, do século XVII, foi preservado com seu conjunto de pinturas de Ticiano retratando o “Martírio de San Lorenzo” (trata-se de uma segunda versão da obra, exposta na Igreja de Santa Maria Assunta em Veneza, encomendada ao artista por Filipe II).  Esse trabalho compõe um grande tríptico com as telas “O Enterro de Cristo” e “Adoração dos Magos”.

               “Martírio de São Lourenço” de Ticiano (1567)                                Site – http://baulitoadelrte.blogspot.com

PÁTIO DOS EVANGELISTAS

O sítio criado em torno do Claustro principal foi dividido em três, para melhor  atender as necessidades multifuncionais do complexo: um espaço para o Palácio e os outros dois para a cozinha e o comércio.

Constitui uma importante ligação arquitetônica do Mosteiro.

Seus dois pavimentos, em estilo italiano, foram criados por Juan Bautista de Toledo e toda estrutura é cercada por uma balaustrada. Cada lado do pátio contém onze arcos que compõem dois andares, sendo o primeiro em ordem dórica e o segundo em ordem jônica.

098 - Vista do claustro

Arcos do corredor do Mosteiro “El Escorial” e  Pátio dos Evangelistas

A área ajardinada foi repartida em quatro grandes canteiros, orientados de acordo com os pontos cardeais e estes por sua vez foram subdivididas em outros quatro, criando assim dezesseis áreas das quais doze são ocupadas por jardins, com grande riqueza decorativa,  e as quatro restantes por fontes, que circundam um templo octogonal.

No centro do pátio foi colocado um templo com oito colunas dóricas, feito de pedra, com o interior revestido de mármores e jaspe de cores diferentes, num desenho elaborado por Juan de Herrera. Abriga as imagens dos quatro Evangelistas – São Mateus, São Lucas, São Marcos e São João, esculpidas por Juan Bautista de Monegro em um único bloco de mármore (cada uma delas).

095 - Patio dos Evangelistas

Templo no Pátio dos Evangelistas desenhado por Juan de Herrera

ESCADA PRINCIPAL

Típico exemplar da tradição arquitetônica espanhola de escadaria imperial, foi projetada por Juan de Herrera, com 52 degraus em uma seção principal dividida em dois lados, mantendo o eixo da simetria da edificação. Está situada na parte ocidental do Pátio dos Evangelistas.

096 - Afrescos na escadaria do claustro

A  pintura de Luca Giordano na  Escadaria Principal do  “El Escorial”

O teto  possui  belos afrescos executados por Luca Giordano no final do século XVII com o tema “A Glória da Monarquia Espanhola”, além de trabalhos realizados por Tibaldi  e Luchetto, dentre os quais: “A Batalha de San Quintín”  e “Fundação de El Escorial”.

Essa decoração foi encomendado pelo rei Carlos II após um século da edificação da escadaria.

097 - Pinturas na escadaria principal do claustro

Afrescos na “Escada Principal” junto ao Pátio dos Evangelistas

PÁTIO DOS REIS

Medindo 64 X 38 m, é o espaço em torno do qual se articulam os demais edifícios e por onde se tem acesso à Basílica e à Biblioteca.

085 - Portão de acesso ao Pátio dos Reis

Portão do Pátio dos Reis na Fachada Norte de El Escorial

Sua denominação deriva das estátuas de reis de Israel (medindo 5 m. de altura),  esculpidas em granito entre 1580-1583 por Juan Bautista Monegro e colocadas na fachada principal da Basílica em 1584. As imagens possuem detalhes em mármore branco e os atributos reais e as coroas foram feitos em bronze dourado por Sebastián Fernández e Gregorio de Salazar. As figuras são identificadas pelos seguintes elementos:

– Josafá =  o cetro e um machado, ao lado de um cordeiro;

– Ezequias =  o cetro e um navio, ao lado de uma cabra;

-Davi = o cetro e a espada

– Salomão = o cetro e um livro

-Josias = o cetro e o livro e leis

-Manassés =  o cetro, um esquadrão e a bússola

086 - Fachada da Basilica

Reis de Israel esculpidos por  Juan Bautista Monegro

BASÍLICA

A construção foi iniciada em 14 de junho de 1575, sendo consagrada em 9 e agosto de 1586. O projeto de Juan Herrera foi baseado na concepção de Bramante para a Basílica de São Pedro no Vaticano. Possui dimensões impressionantes, com 42 altares  que abrigam 34 pinturas.

094 - Pátio dos Reis

As torres laterais da Basílica de “El Escorial” medem 72 m de altura

O rei Filipe II designou Juan Fernández de Navarrete – “El Mudo” –   para executar a pintura dos altares, mas o falecimento do artista (em 1579) impediu a conclusão do trabalho. O altar mor foi ornamentado por Pellegrino Tibaldi  e Federico Zuccaro

          O magnífico interior da Basílica do “Monastério de El Escorial ”               Imagem: http://www.jdiezarnal.com/monasteriodelescorial.html

No altar principal e na Sacristia podem ser  também admiradas pinturas de El Greco, Ribera, Zurbarán e Ticiano.

Os afrescos são de Luca Cambiaso (na abóboda do coro) e Luca Giordano (abóboda principal).

“O Triunfo da Igreja”, afresco de autoria de Luca Giordano na Basílica

As esculturas, incluindo as estátuas funerárias das famílias de Carlos V e Filipe II, são de autoria de Pompeo Leoni.

SACRISTIA:

Tem uma localização muito estratégica, pois se comunica com os setores mais importantes do Mosteiro. Continua sendo utilizada para preparação do culto religioso.

A Sacristia, medindo 30 X 8 m e com teto pintado em estilo “grotesco”  –  por Nicolás Granello e Fabrizio Castello  –  mantém numerosos elementos de sua decoração original, como a cômoda afixada na parede, feita em madeira nobre adornada com mosaicos (onde são guardados objetos litúrgicos); espelhos barrocos e obras de Ticiano, José de Ribera e Lucas Jordán.

O Altar Mor revela um ambicioso projeto artístico da escola madrilenha do último terço do século XVII, realizado por encomenda do rei Carlos II. Por um artifício do estilo barroco, a pintura de Claudio Coello estende-se em perspectiva num espaço imaginário da Sacristia. Somente em ocasiões especiais a pintura desce (deslizando sobre trilhos) até desaparecer por completo, revelando  um Retábulo do século XVII e o Tabernáculo neogótico (onde são guardadas  as hóstias).

Numa sala contígua, com piso de mármore e abóbada decorada por Nicolás Granello, existe uma fonte  feita de um único bloco de mármore marrom, com seis bocas em forma de cabeças de anjos (em bronze dourado), que era utilizada pelos sacerdotes para lavarem-se antes de iniciar a missa.

RELICÁRIO

Felipe II, atendendo aos preceitos do Concílio de Trento (sobre a veneração dos santos), foi o responsável pela criação de uma das maiores coleções de relíquias do mundo católico, com cerca de 7.500 peças, guardadas em 507 “armários-relicário”, com ornamentação desenhada por Juan de Herrera e realizada por Federico Zuccaro.

Nesses “armários”, instalados no final das naves laterais da Basília, ficam expostos os relicários feitos (em sua maioria) pelo famoso ourives, gravador e artista espanhol  Juan de Arfe y Villafañe.

      Relicário na nave lateral da Basílica de “El Escorial”                                Imagem do Site:  Reliquiosamente.com

BIBLIOTECA

 A biblioteca renascentista, criada por Felipe II, está abrigada no andar acima da entrada principal da fachada oeste. Foi projetado por Juan de Herrera (que inclusive desenhou as estantes, primorosamente talhadas por Giuseppe Flecha e Gamboa) em 1574.

090 - Acesso a Biblioteca

Entrada para a Biblioteca no Patio dos Evangelistas

A iluminação natural é assegurada por cinco janelas e varandas com vista para o Pátio dos Reis  e outras sete janelas voltadas para o exterior da fachada oeste.

Além do magnífico salão principal, com piso de mármore cinza, medindo 54 m. de comprimento, por  9 m. de largura e 10 m. de altura,  existem  várias salas adjacentes, não acessíveis ao público.

Na ornamentação do grande salão, realizada por Pellegrino Tibaldi (com obras de Castello, Granello e Carducho), sobressaem os ricos afrescos da abóbada  personificando  as Sete Artes Liberais: Retórica, Dialética, Música, Gramática, Aritmética, Geometria e Astrologia (correspondendo, na verdade,  à Astronomia).

              Biblioteca do “Real Monastério de San Lorenzo de El Escorial”                     Site: http://www.jdiezarnal.com/monasteriodelescorial.html

No centro da Biblioteca está retratada uma cena da história da Rainha de Sabá e do Rei Salomão. Na parede norte a pintura simboliza a Filosofia e na parede sul a Teologia. No friso foram pintadas, por Bartolomé Carducho, catorze  histórias relacionadas às artes representadas.

Existem quatro retratos de monarcas, em tamanho natural, distribuídos no espaço: Carlos V, Filipe II e Filipe III pintados por Pantoja de la Cruz  e o do rei Carlos II feito por Juan Carreño, bem como de outras figuras importantes para o Mosteiro: Frei José de Sigüenza,  Arias Montano e Francisco Pérez Bayer (jurista e filólogo espanhol ).

Três monarcas, da dinastia dos Habsburgo, contribuíram para o enriquecimento da Biblioteca Laurentina: Filipe II, Filipe III e Filipe IV.

O  acervo é composto por mais de 40.000 volumes e aproximadamente:  1.700 manuscritos árabes e persas; 1.400 latinos; 800 castelhanos; 600 gregos, 80 italianos, 80 hebreus, 50 catalães e valencianos, 30 franceses e provençais; além de alguns portugueses, turcos, armênios, alemães e um “nauatle”  (língua pertencente à família uto-asteca, também chamada mexicano)

O primeiro catálogo e seleção de obras relevantes foi feito por Benito Arias Montano, com a colaboração do Padre José de Siqüenza – em meados de 1577.

No século XVII duas preciosidades passaram a integrar o acervo: a coleção de manuscritos árabes do sultão do Marrocos – Muley Zidán  e mil códices da biblioteca do duque de Olivares.

Nas valiosas coleções de códices, sobressaem: o “Códice Aureo” (escrito em letra douradas) e o “Códice Albeldense” (compilação, de vários documentos históricos, abrangendo o período visigótico na Península Ibérica, todo feito em iluminuras). Dentre as raridades podem ser citadas: a “Bíblia de Arias Montano”, “Mishná” (uma das principais obras do judaísmo rabínico) e o “Talmud” (coletânea de livros sagrados dos judeus) do século XVI.

O livro mais antigo do acervo é “De Baptismo” de Santo Agostinho, escrito entre os séculos V e VI em letras unciais (uma grafia específica dos alfabetos latino e grego), presenteado pela rainha Maria da Hungria para o sobrinho Filipe II

Infelizmente, algumas adversidades ao longo dos séculos afetaram as condições de preservação e ampliação do acervo, fazendo com que mais de 4.000 itens fossem perdidos, principalmente em decorrência do incêndio ocorrido em 1671 e das apropriações e transferências efetuadas durante as guerras.

Em defesa do incalculável acervo existe uma inscrição, no portal de entrada, ameaçando com excomunhão aquele que subtrair um livro ou qualquer outro objeto da Biblioteca.

Esfera armilar

Na entrada da Biblioteca pode ser vista a esfera armilar de madeira de pinho, feita por Antonio Santucci em Florença (por volta de 1582), com a terra como centro do universo, em consonância com o sistema defendido por Cláudio Ptolemeu (matemático, astrônomo e geógrafo grego).

Foto (Foto: Arquivo)

     Esfera armilar, de Antonio Santucci,  na Biblioteca do “El Escorial”  Site http://noblat.oglobo.globo.com/   (arquivo de fotos:  O Globo )

Foi um presente diplomático do cardeal Fernando de Medici para o rei Fernando II, inicialmente mantido no Alcázar de Madri, mas depois transferido para o Real Mosteiro de El Escorial, sendo  integrado à Biblioteca em 1593.

Depois de percorrer as dependências do “Real Monastério de San Lorenzo de El Escorial”  existem outras edificações, no entorno, que complementam a estrutura criada para atender à Família Real e que merecem atenção:

CASA DO INFANTE  ou CASITA DE ARRIBA

O projeto do arquiteto Juan de Villanueva, edificado entre 1771 e 1773 em estilo neoclássico, conseguiu superar o desafio imposto pelo terreno (muito longo e estreito) e pela localização (um promontório,  em frente à entrada principal do Mosteiro).

O prédio de dois andares possui duas fachadas:  a principal, que segue as “referências herrerianas” do Mosteiro,  sendo ladeada por duas colunas jônicas (mas sem frontão)  e a posterior,  cujo traçado é menos formal.

Imagem relacionada

            Fachada principal da “Casita del Infante”  em estilo neoclássico                                             Imagem do site: https://en.wikipedia.org

É uma pequena vila com jardins em estilo italiano, em terraços descendentes, concebida para a realização de concertos de música de câmara, um dos principais  interesses do Infante D. Gabriel de Bourbon (filho do rei Carlos III),  que a  utilizava para ter maior privacidade em seus momentos de recreio e descanso, mantendo um certo distanciamento  do protocolo da Corte.

File:Casita del Infante o de Arriba (3) San Lorenzo de El Escorial.jpg

                    Jardim  da  “Casa do Infante”  inspirado  nas  vilas  italianas                                               Imagem do site: commons.wikimedia.org

Foi construída com um plano quadrado, tendo um espaço central de maior altura coberto por uma cúpula (decorada com pinturas alegóricas inspiradas na Música). Era  possível  ouvir  os músicos  tanto na área interna quanto externa.

A decoração original foi desfeita, permanecendo aquela concebida nos reinados de Carlos IV e Fernando VII

O rei Juan Carlos I foi o último membro da Família Real que se hospedou na Casita de Arriba,  durante  seu período de estudos na área de Direito (antes de seu casamento). O quarto que  utilizou tem sido mantido com o mesmo mobiliário.

Horário de visitação: terça a domingo das 10:00 às 18:00 (não abre às segundas-feiras)

CASITA DO PRÍNCIPE OU CASITA DE ABAJO

Outro trabalho executado a partir do desenho do arquiteto real Juan de Villanueva, entre 1771 e 1775, para residência do Príncipe das Astúrias (posteriormente Carlos IV). Inicialmente, era constituída por apenas um bloco retangular, com fachada medindo cerca de  27 m,  mas  entre 1781 e 1784 foi ampliada.

Tanto na parte frontal quanto posterior existem jardins ornamentados com tanques e fontes,  interligados por pórticos de colunas toscanas.

                    Fachada principal da “Casita del Principe” em San Lorenzo                     Imagem: De Dorieo   no site https://commons.wikimedia.org

O piso, no formato da letra “T”, possui uma torre quadrada no centro com uma ampla varanda.

Assim como na “Casita de Arriba” a fachada não apresenta um frontão (elemento típico da arquitetura neoclássica), o que passa a caracterizar o estilo do famoso arquiteto, a partir dessa fase.

A composição arquitetônica remete à obra mais célebre do arquiteto Villanueva: O Museu do Prado em Madri.

O interior decorado em estilo neoclássico contou com o trabalho de Ferroni (estuques de mármore) e pinturas no teto de autoria de Vicente Gòmez, Mariano Salvador Maella e Francisco Bayeu.

Salão principal da “Casita del Principe” decorado em estilo neoclássico          Imagem do site “Baúl del Arte”:  http://baulitoadelrte.blogspot.com

Para aqueles que ainda tiverem tempo e disposição para um último (mas não menos interessante) passeio pela região a dica é:

‘SILLA DEL REY’ ou CADEIRA DE FILIPE II

Na “Colina dos “Eremitas”, na Serra de Guadarrama, distante cerca de 7,5 km da povoação, nos arredores agrestes cobertos por pinhais (dentro da Floresta de Ferraria), encontra-se um mirante com escada e três “terraços”  escavada num bloco de granito,  sendo um deles conhecido como “Silla del Rey” (ou “Cadeira do Rei Filipe II).

La Silla de Felipe II - El Escorial

   Mirante escavado num bloco de granito na “Colina dos Eremitas”  Imagem do site oficial: Ayuntamiento de San Lorenzo de El Escorial

A versão mais difundida sobre a origem do lugar é de que seria o observatório usado pelo rei Filipe II para acompanhar os trabalhos de construção, graças à privilegiada visão da área do Mosteiro. Há quem diga tratar-se de  um altar de sacrifícios do período pré romano enquanto outros acreditam ser apenas um mirante remanescente do século XIX.

Independente da verdadeira história, o cenário que se descortina é o verdadeiro atrativo do local.  No ponto denominado “Cruz de la Horca” é possível avistar o conjunto de edifícios que compõem o “El Escorial”

Depois de tentar demonstrar que ir a Madri e não visitar o “Real Sitio de San Lorenzo de El Escorialseria o mesmo que ir à Roma e não conhecer o Vaticano,  o derradeiro argumento é a facilidade para chegar a San Lorenzo, tanto  pela proximidade quanto pelas opções de transporte.

Trem de  Madri a San Lorenzo

Estação Atocha Cercanias:   Linha 6 /  C – 3

Duração da viagem: cerca de 1 hora

Estação Chamartín:  Linha C – 8 A

Duração da viagem:  50 minutos

O bilhete pode ser comprado na bilheteria ou em uma máquina de venda automática da Renfe (com pagamento em dinheiro, cartão de viagem ou de crédito), seguindo as instruções descritas na tela para: escolher o destino = El Escorial e definir a  quantidade e a opção (somente ida ou ida e volta, ressaltando que não será especificado horário tampouco um assento pré determinado).

De posse do bilhete, basta passar pela catraca para chegar na plataforma de embarque da linha correspondente (definida nos painéis informativos).

O percurso atravessa a Reserva de El Pardo (área de aproximadamente mil hectares) e com sorte é possível avistar alguns animais.

Como ir da Estação Ferroviária  de San Lorenzo para o Mosteiro de El Escorial:

A pé = uma caminhada de 20 a 30 minutos que pode ser feita com calma (considerando que é uma subida), apreciando a arquitetura e os recantos da cidade;

Ônibus = na saída da estação ferroviária existe um ponto de embarque;

Táxi = dependendo do número de pessoas (2 a 3) vale mais a pena do que o ônibus em função do valor gasto

 Ônibus de Madri a San Lorenzo

Intercambiador (Estação Rodoviária) de Moncloa – acessível por Metro (linha 3/Amarela ou Linha 6)

Linha 661 da empresa Autocares Herrans:  tempo de viagem = 55 minutos

ou Linha 664

O bilhete é adquirido diretamente com o motorista.

Além de maior oferta de horários, a chegada é bem próxima ao Mosteiro, na “Estación de Autobuses de San Lorenzo El Escorial”  sendo possível caminhar sem maior esforço pelo curto trajeto, mesmo sendo subida.

No percurso rodoviário, um pouco antes de chegar à parada final, o ônibus passa pelo Monumento do “Valle de Los Caídos”.

 Aluguel de carro

É vantajoso para grupos de quatro a cinco pessoas pelo valor da diária, além de facilitar o deslocamento para outros lugares nas imediações, proporcionando maior flexibilidade de horário e de roteiro.

Trajeto: Estrada Madrid-San Lorenzo de El Escorial (A-VI) até “las Rosas”, desvio para a M – 505. Novamente A-VI e saída para a M-600.

Tempo de viagem: 45 minutos

HORÁRIO DE VISITAÇÃO

O Real Sitio de San Lorenzo de El Escorial tem dois horários diferenciados ao longo do ano:

  • de outubro a março –  abre de segunda a domingo de 10h a 18h.
  • de abril a setembro –  abre de segunda a domingo de 10h a 20h.
  • NÃO ABRE: às segundas feiras e nos dias:  24, 25 e 31 de dezembro.

INGRESSOS

Os valores em setembro/2018 são:

Básico = 10 euros

Reduzido  (idade entre 5 e 16 anos ou maiores de 65 anos) = 5 euros

Estudantes até 25 anos (mediante apresentação de comprovação) =   5 euros

INGRESSOS GRATUITOS: Somente para cidadãos da União Europeia e de países latino americanos (o que inclui o  Brasil) – mediante apresentação do passaporte,  em dias e horários específicos, a saber:

Outubro a Março: na quarta e na quinta-feira das 15:00 às 18:00 h

Abril a Setembro: na quarta e quinta-feira das 17:00 às 20:00 h

Em  18 de Maio (Dia Internacional dos Museus) e 12 de Outubro (Festa Nacional da Espanha) o ingresso é gratuito durante todo o horário de funcionamento, porém, são duas datas de grande afluxo de visitantes.