Palácio Nacional de Queluz – Portugal

266 - Queluz Fonte e Palacio

Lago de Netuno e a Fachada de Cerimônia do Palácio Nacional de Queluz

Saindo de Lisboa, para um passeio até Sintra, é possível planejar uma parada em Queluz distante cerca de  15 km da capital portuguesa.

Basta seguir pela via N-117 usar a saída para IC19 e seguir as placas indicativas de Queluz-Palácio, totalizando não mais de 25 minutos de carro. Outra opção fácil é embarcar no trem (nas Estações do Rossio ou do Oriente – em Lisboa), descer em Queluz-Belas e caminhar cerca de 800 metros pela Rua Dr Manuel de Arriaga até chegar ao Palácio Nacional de Queluz.

Existem vários motivos para incluir essa visita no roteiro, que vão muito além das características arquitetônicas, decorativas e do tratamento paisagístico dos jardins.

O Palácio representa um forte elo entre Brasil e Portugal, por  ter sido a  residência da Família Real, antes e depois da instalação da corte portuguesa no Rio de Janeiro. Há muita história testemunhada por essa construção, onde foram confinadas as rainhas D. Maria I (devido à sua insanidade mental)  e, anos depois, D. Carlota Joaquina (que ficou em “prisão domiciliar”, após ter se recusado a jurar a Constituição de 1820). Talvez o que desperte maior consideração dos brasileiros seja a possibilidade de conhecer o local de nascimento e morte do imperador D. Pedro I do Brasil .

O cenário de decisivos fatos históricos de Portugal é também uma das últimas grandes construções em estilo rococó na Europa, sendo chamado de  “o Versalhes português”, pelas influências francesa e italiana (típicas no gosto da corte dos séculos XVIII e XIX), apresentando elementos dos estilos barroco, “rocaille” e neoclássico em sua concepção e ambientação,  assim como nos belos jardins que emolduram a arquitetura palaciana.

A primeira visão do Palácio Nacional de Queluz não deixa transparecer sua riqueza. Isso porque as fachadas internas (voltadas para os jardins) tiveram um tratamento arquitetônico e decorativo muito mais elaborado do que aquelas vistas da rua. E o mais interessante é que, após os trabalhos de restauração, recuperaram a cor original (azul cobalto), diferentemente do rosa que por mais de cem anos revestiu todo o exterior do prédio –  e que ainda se mantém na parte frontal.

247 - Queluz - Palácio e Monumento

Monumento   Dª Maria I –  feito por João José de Aguiar em mármore de Carrara

A reforma foi iniciada em 1747, pelo arquiteto Mateus Vicente de Oliveira, com objetivo de criar um palacete de verão para D. Pedro de Bragança que, em 1760, tornou-se marido e rei consorte de sua sobrinha: a Rainha Maria I – “a Piedosa” (ou D. Maria, “a Louca”, como ficou conhecida no Brasil), coroada em 1777.

Ao longo de dois séculos foram acrescidas várias dependências ao Palácio de Queluz, articuladas entre si, concebidas pelos diferentes arquitetos que sucederam Mateus Vicente de Oliveira: além do francês João Baptista Robillon ,  I. de Oliveira Benevides, que foi o idealizador do teatro real, inaugurado em 17 de Dezembro de 1778 (em comemoração ao primeiro aniversário de coroação da rainha)  e Manuel Caetano de Sousa que ficou encarregado,  a partir de 1784,  da criação do segundo piso (do qual restou apenas o andar nobre sobre a Fachada de Cerimônia) e pela edificação do Pavilhão D. Maria, concluído em 1789, no lugar antes ocupado pela “Casa da Ópera”.

O Palácio de Queluz sediou muitas festas e eventos musicais até  tornar-se o lugar de isolamento da Rainha D. Maria I, após a morte do marido (D. Pedro III) em 1786, quando ela já demonstrava sinais de perturbação mental, agravada pelo falecimento, em 11 de Setembro de 1788, do príncipe herdeiro D. José (com apenas 27 anos de idade), em decorrência da varíola.

Em 1792 D. João VI foi proclamado Príncipe Regente, depois de sua mãe ser oficialmente declarada incapaz.

Devido a um  incêndio no Palácio da Ajuda  em Lisboa (ocorrido em 1794), Queluz passou a ser a residência oficial do Príncipe Regente português e ali nasceu D. Pedro IV de Portugal (o mesmo D. Pedro I do Brasil) em 12 de outubro de 1798. E foi de onde a Corte Portuguesa partiu para o Rio de Janeiro, em 1807, devido à  invasão francesa, comandada por Napoleão Bonaparte.

Quando retornou, em 1821, a Família Real se instalou novamente no Palácio de Queluz onde D. João VI faleceu, em 1826, desencadeando a disputa pelo trono entre seus dois filhos: D. Pedro IV (que já havia se tornado D. Pedro I, após a declaração da Independência do Brasil em 1822)  e D. Miguel, que tinha o apoio de D. Carlota Joaquina. A guerra entre os irmãos terminou somente em 1834 com a vitória de D. Pedro.

A partir de 1826 o Paço de Queluz  foi deixando de ter interesse para os soberanos portugueses e acabou  tornando-se propriedade do Estado em 1908, quando o rei Manuel II o cedeu à Fazenda Nacional.

Um grave incêndio, ocorrido em 1934, praticamente destruiu o Palácio Nacional de Queluz, demandando um árduo trabalho de recuperação que, após finalizado, permitiu sua abertura para visitação pública (atualmente, no  horário das 9:00 às 17:00 h, exceto às terças-feiras).

O ingresso, que inclui a visita ao prédio e aos jardins, tem um valor próximo a 10 euros. É possível obter desconto com a compra de bilhetes combinados com outras atrações de Sintra (Castelo dos Mouros, Palácio de Sintra ou o Palácio da Pena). Para obter maiores informações basta acessar o site Parques de Sintra: http://www.parquesdesintra.pt/

O Lisboa Card pode ser uma alternativa ainda mais interessante, porque dispensa a aquisição da passagem de trem, além de proporcionar desconto nos ingressos para os diversos locais de visitação turística de Sintra (site https://www.lisboacard.org/pt/ ).

O percurso pelos ambientes internos do palácio consome de uma a duas horas, conforme o interesse do visitante e a utilização dos recursos informativos disponíveis: placas de identificação dos espaços e objetos; áudio-guia (custo adicional), “tablet”  interativo ou então as visitas guiadas, realizadas diariamente às 10:30 h, sem necessidade de prévio agendamento, pelo valor adicional de 5 euros e com duração entre 1h e 1h30min.

O mapa de visitação divulgado no site https://www.parquesdesintra.pt/pontos-de-atracao/roteiro-interiores-queluz   permite uma boa visualização da sequência dos aposentos:

Planta esquemática do Palácio e Jardins, evidenciando o percurso de visita no interior do Palácio de Queluz.

1 – SALA DO TRONO – sua construção foi iniciada em 1768, sob atribuição do arquiteto francês Jean-Baptiste Robillion e concluída em 1774, visando a realização de grandes eventos promovidos pela Família Real.

Além dos bailes da corte, sediou as raras e austeras audiências oficiais de D. Maria I e as cerimônias de batizado dos filhos de D. João VI e Dª Carlota Joaquina. Em algumas ocasiões,  foi inclusive adaptada para os  velórios da Família Real:  do jovem príncipe herdeiro  D. Francisco Antonio Pio (em 1801, aos seis anos de idade), assim como de seu irmão –  D. Pedro IV (ou Pedro I do Brasil, em 1834, aos 36 anos de idade) e  de sua mãe – a rainha D. Carlota Joaquina (em 1830, aos 55 anos de idade).

O requintado salão de 304 m² parece ainda mais amplo devido aos espelhos e a iluminação natural.  Tem  ligação com a Sala de Música e portas de acesso aos jardins.

A obra de talha é de autoria do escultor e entalhador Silvestre de Faria Lobo. As pinturas do teto foram executadas sob a supervisão de João de Freitas, com a colaboração de Manuel da Costa, Antonio Berardi e Manuel do Nascimento e simbolizam a Fé, Esperança, Guerra,  Justiça e a Caridade.

249 - Queluz - Sala do Trono

Sala do Trono –  utilizada pelo Governo Português para eventos oficiais

2 – SALA DE MÚSICA – é uma das dependências mais antigas (concluída em 1759), projetada pelo arquiteto Mateus Vicente de Oliveira e que serviu para inúmeras apresentações musicais, inclusive óperas. Com 207 m² de área útil, possui excelente acústica, iluminação natural e também oferece acesso aos jardins. A decoração em talha dourada, com motivos alusivos à música, foi executada por Silvestre Faria Lobo.

No século XVIII foi utilizada por Dª Carlota Joaquina para suas audiências.

252-Sala Música Dª Maria I

Retrato de Dª Maria I na Sala de Música do Palácio de Queluz

4 – SALA DO LANTERNIM –  permite acessar a Capela Real, a Sala de Música e a Sala do Trono e era conhecida como Sala Escura  até que, durante a primeira invasão francesa,  o general francês Junot mandou fazer uma abertura no teto (lanternim)  para  iluminação e ventilação do espaço. Possuía uma escada para a tribuna lateral superior do altar-mor, de onde membros da família Real podiam assistir aos ofícios religiosos, ocultos por uma treliça.

Ostenta um grande retrato de D. Miguel (irmão mais novo de D Pedro I do Brasil)  que foi rei de Portugal entre 1828 e 1834, sendo deposto após a derrota na Guerra Civil Portuguesa (ocorrida entre 1831 e 1834) e banido do país.

253 - Sala do Lanternim Dom Miguel de Bragança

Sala do Lanternim – reformada pela Infanta Regente D. Isabel Maria para receber seu  irmão D. Miguel na volta do exílio

3 – CAPELA REAL – construída em 1752, com  projeto de Mateus Vicente de Oliveira, é composta por uma só nave com diferenciação dos espaços da  capela mor (de planta oitavada) e do coro. A ornamentação em talha dourada, de inspiração rococó, foi concluída ainda em 1752, sob a responsabilidade de  Silvestre de Faria Lobo.

As paredes tem uma textura imitando mármore e lápis lazuli e o teto apresenta pinturas em óleo sobre tela, de autoria de José Gonçalves Soares, com temática evocativa à Virgem.  A cúpula possui uma cobertura exterior em formato de bolbo, revestida de cobre, com dois óculos que projetam luz natural no altar.

O retábulo do altar-mor, concluído em 1752 por André Gonçalves, é dedicado à padroeira de Queluz: Nossa Senhora da Conceição. O painel do altar lateral é de mesma autoria, com representação da prisão de São Pedro e de São Paulo. O outro painel, devotado a São Francisco de Assis, é atribuído a Pedro Alexandrino de Carvalho.

254 - Queluz Capela do Palácio

Capela do Palácio Nacional de Queluz restaurada  entre 1990 e 2001

5 – APOSENTOS DA PRINCESA D.MARIA FRANCISCA BENEDITA – foram ocupados pela irmã mais nova da rainha, após a morte do marido – o príncipe herdeiro D. José –  que era o  filho primogênito da rainha Maria I (portanto, também sobrinho da viúva).

Integram os aposentos da princesa um conjunto de ambientes privados, de pequenas dimensões: uma Saleta, o Quarto de Dª Maria, o Quarto em estilo Império e o Oratório, conforme especificado  numa planta do palácio datada de 1795.

Foi D. João VI  quem determinou a remodelação dos cômodos, resultando nos tetos e lambris de telas pintadas a têmpera (inspiradas nos desenhos encontrados na escavação de Pompéia), bem como a decoração nos estilos neoclássico e império.

255 - Quarto da princesa Maria Francisca Benedita

Quarto do Império – Aposentos da Princesa D. Maria Francisca Benedita

O Oratório, datado de 1788, situa-se no centro dessa ala, correspondendo ao eixo do jardim de Malta. É também conhecido como Ermida de Nossa Senhora del Carmem (de quem a rainha D. Carlota Joaquina era devota) pela imagem instalada no altar entalhado por António Ângelo.

SALA DO BERÇO – espaço adjacente ao Quarto do Império, fazia parte do antigo “Corredor da Ermida”, que era uma área de circulação dos  criados a partir da Sala dos Embaixadores até a Capela (passando por  detrás das salas e quartos nobres). Durante as obras realizadas nos séculos XIX e XX  foi sendo sucessivamente modificado.

SALA DA ESCULTURA – local em que a princesa italiana que se tornou rainha consorte de Portugal – D. Maria Pia de Saboia  – instalou seu atelie de escultura (na segunda metade do século XIX).

6 – SALA DE FUMO  E  7 – SALA DO CAFÉ – onde os homens se reuniam após a refeição (o que tornou-se um hábito comum nas cortes da  segunda metade do século XIX). Essas salas foram criadas durante as curtas estadias do rei D Luis I  e da rainha D. Maria Pia de Saboia no Palácio de Queluz.

8 – SALA DE JANTARas refeições dos monarcas eram servidas nos locais determinados de acordo com a conveniência de cada um e somente a partir do século XIX passou  a ser utilizada essa denominação específica, em função dos costumes adotados pelos últimos reis.

9 – SALA DE PORCELANAS espaço contíguo à Sala de Jantar, onde estão expostos objetos de porcelana, faiança, prata e utensílios pertencentes à Família Real. É interessante observar algumas peças  com o monograma CJBP:  Carlota Joaquina Princesa do Brasil.

Essa sala tem saída para um pequeno espaço aberto, rodeado por janelas em arco e dotado de um tanque de água,  que ficou conhecido como “Pátio da Lontra” (10).

 11- SALA DOS AZULEJOS/CORREDOR DAS MANGAS – uma nobre área de circulação, que faz a ligação entre a área remanescente da Quinta dos Marqueses Castelo Rodrigo (confiscada por D. João IV e integrada à Casa do Infantado em 1654) e as novas edificações, planejadas pelos arquitetos Mateus Vicente de Oliveira e Jean-Baptiste Robillion no século XVIII.

A denominação do espaço decorre da sua ornamentação com painéis policromados de azulejos, que revestem a parte superior das paredes, onde estão representadas as quatro estações, quatro continentes, cenas de mitologia e de caça. A autoria foi atribuída ao pintor ceramista Francisco Jorge da Costa e a execução foi estimada em 1784.  O lambrim mais antigo apresenta painéis azuis e brancos que, presume-se, tenham sido elaborados por volta de 1764 pelo pintor Manuel da Costa Rosado, retratando cenas no campo (principalmente de caça).

Também ficou conhecido como Corredor das Mangas, talvez porque ali seriam guardadas as peças de vidro (mangas) utilizadas para proteger as velas.

A decoração dessa sala apresenta vasos de faiança azul e branco  e expõe uma singular charrete com varais e rodas de madeira entalhada, recoberta com desenhos alusivos à cidade italiana de Pompéia, que foi encomendada por D. Pedro III e executada sob a supervisão do arquiteto Robillion, em 1767.

257 - Queluz Corredor das Mangas

A Sala dos Azulejos expõe  um tipo de charrete usada para passeios

12 – SALA DA TOCHA –  agrega o núcleo correspondente à primeira fase construtiva para ampliação do antigo Palácio dos Marqueses de Castelo Rodrigo, realizada sob direção do arquiteto Mateus Vicente de Oliveira.

Situada na parte central da Fachada de Cerimônia, integra a ala expositiva que apresenta, em ordem cronológica,  as influências e estilos predominantes no Palácio Nacional de Queluz, conhecidos como:  “D. José” ,  “D. Maria”  e “Império”.

Na Sala da Tocha tanto a decoração como o mobiliário correspondem ao estilo D. José (séc. XVIII), com predominância de elementos orientais (peças chinesas em laca e porcelana) em composição com os móveis nos estilos europeus:  francês (Luis XV)  e inglês  (“Chippendale”  caracterizados  pelos pés curvos e  o formato de “pata de leão” ).

13 – QUARTO ESTILO D. JOSÉ – repete as características típicas dos ambientes aristocráticos portugueses do século XVIII, na mistura de materiais como as madeiras nobres e escuras, provenientes do Brasil, com o vermelho dos tecidos adamascados e das lacas.

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Estilo D. José: influências orientais e mobiliário  “Chippendale”           foto do  site “Click Portugal”

14 – SALA DOS ARCHEIROS  – antiga entrada nobre do palácio, com acesso à Sala dos Embaixadores. A porta de entrada, pelo Jardim Pênsil, é ladeada por duas esculturas do artista inglês John Cheere: “Marte” e “Minerva”.

Está integrada ao espaço expositivo,  com peças do estilo D. Maria, dentre as quais um belo lustre de Morano (Veneza) do séc. XVIII;

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                                            Sala dos Archeiros, com mobiliário do estilo D. Maria.                                                                                     ©DGPC/ADF | Carlos Monteiro, 2011

15 – SALA DOS PARTICULARES – local onde os fidalgos responsáveis por todo o serviço íntimo dos aposentos do Príncipe D. João (situado no andar superior) aguardavam para iniciar o trabalho. No reinado de D. Luis I (1838-1839) e de D. Carlos (1863-1908) serviu como Sala de Reuniões ou Biblioteca.

Atualmente está mobiliado no estilo Império (início do século XIX), completando o núcleo expositivo-pedagógico sobre as tendências decorativas predominantes no Palácio de Queluz.

16 – SALA DOS EMBAIXADORES – era utilizada pelo Príncipe Regente para audiências do corpo diplomático, recepção a autoridades estrangeiras e cerimônias protocolares, podendo acolher entre 150 e 200 pessoas nos seus 232 m² de área útil. Em cada extremidade estão colocados dois dosséis para  tronos: um para o rei e a rainha  e outro para os Príncipes do Brasil (título dos príncipes herdeiros).

Sua construção foi iniciada em 1754 sob coordenação do arquiteto Jean-Baptiste Robillion, com a colaboração  dos franceses Pierre Larrie, Jacques Antoine Colin (entalhador) e Jean François Cragnier (marceneiro) e dos portugueses Bruno José do Vale e Francisco de Melo – autores das pinturas do teto e sanca. O painel central  representa a Família Real participando de um concerto. Trata-se de uma réplica da tela original que teria sido pintada pelo italiano Giovanni Berardi em 1762 e que foi destruída no incêndio de 1934.

Essa sala teve  vários outros nomes:  Sala das Colunas, Sala das Serenatas e somente após 1794 passou a ser conhecida como Sala das Talhas ou Sala dos Embaixadores.

258 - Sala dos Embaixadores

Sala  dos  Embaixadores do Palácio de Queluz  ricamente  decorada

PAVILHÃO ROBILLION – erguido para abrigar os aposentos privados dos monarcas, após o casamento de D. Pedro III com D. Maria. Foi planejado pelo arquiteto Jean-Baptiste Robillion devido à indisponibilidade de Mateus Vicente de Oliveira  (que estava a serviço da reconstrução de Lisboa, conduzida pelo Marquês de Pombal, devido ao terremoto de 1755). Localizado na ala poente, junto à Sala dos Embaixadores, foi utilizado por D. Pedro III, D. João VI, D. Carlota Joaquina, D. Miguel e D. Pedro IV quando o Palácio de Queluz era a residência oficial da Família Real.

267 - Queluz Palacio

Fachada do Pavilhão Robillion no Palácio de Queluz

A fachada apresenta colunata e varandas balaustradas, decorações em relevo encimando janelas e uma imponente escadaria ladeada por  estátuas de leões. Na parte interna destaca-se o assoalho em parquet de madeiras exóticas brasileiras (em especial o pau-santo e o pau-cetim) e o uso de “papier maché” (pasta de papel) dourado e policromado na decoração em relevo.

O Pavilhão Robillion  é composto pelos seguintes espaços:

17 – SALA DO DESPACHO – era usada pelo Príncipe D. João para reuniões ministeriais e administrativas. Mas também serviu, em outros períodos, como quarto de dormir dos reis D. Miguel e D. Luis.

Na decoração destacam-se as pinturas em óleo sobre tela do cenógrafo italiano Giovanni Berardi, com representações da Antiguidade Clássica (que teriam sido inspiradas nas gravuras que  F.T. Charpentier executou em 1761).  No teto, a pintura intitulada “Decorrer do Tempo” data de 1940 e substituiu a original (que foi destruída no incêndio de 1934) sobre o mesmo tema.

18 – SALA DAS AÇAFATAS – onde as camareiras aguardavam para prestar serviços às rainhas:  Dª. Maria I e, posteriormente, a Dª. Carlota Joaquina. É decorada com pinturas a fresco.

19 – SALA DAS MERENDAS concluída em 1767 para ser utilizada nas refeições privadas dos aposentos reais. Ornamentada com quatro telas contendo alegorias das estações do ano e temática de caça (e que só não foram destruídas no incêndio porque tinham sido retiradas do Pavilhão Robillion para restauro)

20 – QUARTO D. QUIXOTE – construído entre 1759 e 1774 foi utilizado a princípio como sala de café e depois foi transformado em quarto, no qual nasceram todos os filhos de D. João VI e D. Carlota Joaquina.

A denominação do quarto justifica-se pela presença das dezoito pinturas que ilustram episódios da história de D. Quixote de La Mancha. A decoração inclui detalhes como os frisos dourados, sancas marmoreadas e rodapés em madeira.

Foi onde morreu, em 24 de setembro de 1834,  o rei D. Pedro IV. Seus últimos anos de vida foram bastante conturbados: depois de desacatar as ordens da Corte Portuguesa e permanecer no Brasil (o famoso “Dia do Fico” – em 9 de janeiro de 1822) proclamou a independência da colônia em 07/09/1822.  Em 1826 abdicou do trono português em favor de sua filha mais velha – D. Maria II. Porém, D. Miguel assumiu o poder, obrigando D. Pedro IV a retornar para Portugal, em julho de 1832, para enfrentar seu irmão numa disputa acirrada que envolveu os defensores do absolutismo e os partidários do liberalismo. D. Pedro obteve a vitória em 1834, mas não pode usufruir de sua conquista porque morreu meses depois, em decorrência da tuberculose.

260 - Quarto de D Pedro IV e I

Quarto D. Quixote  no Pavilhão Robillion – Palácio de Queluz

ORATÓRIO – trabalhado em casquinha, entalhado e dourado, é atribuído a António Ângelo. Está situado numa área comum aos quartos “D. Quixote” e “da Rainha”.

21 – QUARTO DA RAINHA – antes de ser usado por D. Carlota Joaquina esse foi  o quarto de dormir de D. Pedro III e, posteriormente, de seu filho – o príncipe D. João. No reinado de D. Miguel era utilizado como sala de despacho.

É o único cômodo ornado com pasta de papel prateada. A decoração original se perdeu no incêndio ocorrido em 1934.

22 – TOUCADOR DA RAINHA – possui onze painéis de telas com cenas infantis, que ilustram os diversos modos de vestir masculino e feminino do século XVIII, emoldurados por um trabalho estilo rococó em “papier maché” dourado e policromado. O assoalho de madeira harmoniza-se com a decoração floral do teto. No exterior é possível observar que a balaustrada da janela central é  também adornada por um cesto de flores e frutos,  feito em pedra.

A foto extraída do site: http://www.parquesdesintra.pt/pontos-de-atracao/toucador-rainha-queluz/ oferece a visão da riqueza de detalhes do ambiente.

                       Quarto do Toucador da Rainha. ©DGPC/ADF | José Pessoa, 2008

PAVILHÃO D. MARIA – composto por dois pisos simétricos, foi a última edificação acrescida ao Palácio (concluída em 1789). Projetado por Manuel Caetano de Sousa, tem na decoração painéis de tendência neoclássica, compostos por flores estilizadas, figuras híbridas e mitológicas.

Atualmente destina-se ao uso de Chefes de Estado estrangeiros em visita oficial a Portugal. O casal real inglês Charles e Diana ficou ali hospedado em fevereiro de 1987, nas comemorações da passagem de seis séculos da assinatura do Tratado de Windsor (que selou a aliança diplomáticas luso-britânica).

J A R D I N S   D O     P A L Á C I O     D E   Q U E L U Z

262 - Queluz jardins

Jardim do Palácio de Queluz visto do terraço do Pavilhão

Para finalizar a visita,  é indispensável percorrer a área externa, que já no século XVIII era dotada de um complexo sistema hidráulico, elaborado por Manuel da Maia, para fazer a água jorrar nas diversas fontes e lagos.

Durante a caminhada, podem ser contempladas as esculturas em chumbo do inglês John Cheere, adquiridas por D Pedro III, além de obras em mármore (estátuas, bustos e vasos) encomendados entre 1757 e 1765,  por intermédio do italiano Nicolau Possolo, que residia em Lisboa.

O site: http://www.parquesdesintra.pt/pontos-de-atracao/roteiro-jardins-queluz/  recomenda o seguinte percurso:

Planta esquemática dos jardins históricos do Palácio de Queluz.

O passeio tem início na  ESCADARIA ROBILLION (A)  para ter acesso à CASCATA DAS CONCHAS (B).

Os dezesseis hectares de jardins foram palco de festas, espetáculos pirotécnicos, touradas e cavalhadas nos tempos áureos da vida palaciana (especialmente entre  1752 e 1786). Em meio a vegetação, pontilhavam gaiolas com pássaros exóticos (pavões, águias e falcões dentre outros) e na área abaixo do Pavilhão Robillion ainda podem ser vistas as JAULAS (C), instaladas em 1822,  onde ficavam os animais selvagens (leões, tigres e macacos).

O Parque é cortado de norte a sul pela Ribeira do Jamor,  cujas águas eram represadas por meio de comportas para atingir o nível dos azulejos  e assim possibilitar os passeios de barco, ao som da orquestra de câmara da rainha, reunida na Casa de Música, que ficava sobre o canal  e da qual, infelizmente, restou apenas um desenho antigo.

CANAL DOS AZULEJOS (D) – trata-se da maior superfície azulejar a céu aberto composta por  peças produzidas na segunda metade do século XVIII. Por sua extensão de 110 m. também era chamado de Lago Grande e constitui um dos mais notáveis exemplos da utilização do azulejo na decoração (prática iniciada no século XVII). As paredes internas do canal,  o arco de suporte e até as escadas de acesso ao riacho são revestidos por painéis de azulejos policromados ou com motivos em azul e branco, de 1756, onde estão representados: castelos, portos de mar, ruínas da Antiguidade e paisagens.

Ao anoitecer, a iluminação da área externa era feita com archotes em forma de cornucópia.

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Foto publicada no site “Click Portugal” de Gloria Ishizaka

O conjunto escultório, que ornamenta o acesso ao Canal dos Azulejos,  é integrado por esculturas em chumbo fundido de autoria de Jonh Cheer  – “Baco e Ariadne” e “Vênus e Adonis” e  duas obras italianas, em mármore, de autor desconhecido – “Mercúrio”  e “Etéodo”.

261 - Queluz Canal dos azulejos

Acesso ao Canal dos Azulejos no Parque de Queluz

Largo dos Plátanos – reúne três importantes esculturas de John Cheere:  “CAIM E ABEL” (E) , inspirada numa obra de Giovanni de Bologna exposta no Museu Victoria e Albert em Londres; “Eneias e Anquises” – representação do filho (Eneias) carregando o pai (Anquises) na fuga após o incêndio e saque de  Tróia,  acompanhado por seu  filho Ascânio  e sua mulher  Creusa e “Rapto de Perséfone” – representando a filha de Zeus e Deméter (Proserpina) sendo arrastada por Hades – Rei dos Mortos.

LAGO DAS MEDALHAS (F) – projetado em 1764 por Jean-Baptiste Robillion, com formato octogonal, dotado de um complexo sistema de repuxos, é considerado o maior lago dos jardins, junto ao qual podem ser vistas as estátuas  “Apolo” e  “Diana”  de  John Cheere.

FONTE DE NETUNO (G) – destaca-se como um notável exemplar da escultura barroca seiscentista. O conjunto escultório em pedra, retratando Netuno cercado por tritões, foi encomendado em Roma por D. Luis de Meneses, Conde da Ericeira e Embaixador de Portugal na Itália, para o seu Palácio da Anunciada (Lisboa), em 1677. Posteriormente, foi removido para a Quinta do Senhor da Serra, em Belas. No ano de 1945 foi transferido para o jardim do Palácio de Queluz. Seu autor é um discípulo e colaborador do renomado Gian Lorenzo Bernini: o escultor Ercole Ferrata, considerado um dos expoentes do barroco romano.

PICADEIRO DE TREINO (H) –   era utilizado pela Escola Portuguesa de Arte Equestre, fundada em 1979,  com objetivo  de  preservar e divulgar  a tradicional Arte Equestre. Assegurou a continuidade do trabalho da Real Picaria – academia equestre da corte portuguesa, criada por D. João V em 1748. Nas apresentações realizadas no Picadeiro Henrique Calado, na Calçada da Ajuda (em Belém), são mantidas as mesmas características do século XVIII:  as raças de cavalos (lusitanos  da Coudelaria de Alter Real), os  tipos de arreios, bem como os trajes dos cavaleiros e os padrões técnicos do hipismo. Sem dúvida,  deve ser um belo espetáculo para ser visto em Lisboa .

CAVALARIÇA DA RAINHA D. AMÉLIA (1904) E CAVALARIÇAS DA ESCOLA PORTUGUESA DE ARTE EQUESTRE (H-1)

PAVILHÃO DE CHÁ (I) – instalado na antiga estufa do século XIX

JOGO DA PELA (J) – local construído em 1758 para a prática também conhecida como Jogo da Malha (que chegou ao Brasil, no período colonial, através dos imigrantes portugueses).

JARDIM BOTÂNICO (L) – criado entre 1769 e 1776, foi  delimitado por uma balaustrada em 1800. Composto por vinte e quatro canteiros, correspondentes a cada categoria de classificação de Lineu, possibilitava o estudo de Botânica pelos infantes. Ficou também conhecido como Jardim das Estufas, onde D. Pedro III  determinou o cultivo de ananases, um fruto raro e exótico naquela época, o que exigia dos jardineiros uma habilidade incomum.

A reconstituição do Jardim Botânico, situado numa zona de confluência de águas (razão das enchentes sofridas em 1976 e 1983 que o destruíram)  tornou-se viável graças aos documentos encontrados pela historiadora Denise Pereira, na Torre do Tombo em Lisboa, referentes à  edificação do palácio e do entorno, dentre os quais desenhos e uma lista das plantas cultivadas nos jardins.

GRANDE CASCATA (M) – um trabalho de Robillion, executado na década de 1770, em forma de uma enorme carranca por onde jorra a água. Possui um revestimento de rochas provenientes da região de Cascais. A ornamentação com esculturas em pedra e chumbo não foi preservada.

LAGO DA CONCHAS (N) – desenhado por Robillion, aludindo motivos de ourivesaria bastante comuns nas salvas de prata, relembrando sua primeira função desempenhada na corte em 1749, quando se apresentou a D Pedro III como discípulo do renomado ourives francês Thomas Germain, antes de assumir as funções de arquiteto em Queluz.

JARDINS SUPERIORES (P – Q) – avistados da janela da fachada principal, os jardins “Pênsil” e “de Malta” apresentam o traçado geométrico do paisagismo francês, obtido com elaborado trabalho de topiaria. São separados do restante do Parque (e também entre si) por uma balaustrada, que se encerra no Pórtico dos Cavaleiros, erguido em 1771.  O também denominado Pórtico da Fama, de autoria de Manuel Alves e Filipe da Costa, é ladeado por duas estátuas simbolizando a “Fama Heróica montando o Pégaso”.

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Pórtico da Fama separa os jardins formais da área do Parque do Palácio

De acordo com registros documentais, em 1758 já havia sido encomendada uma grande quantidade de arbustos e espécies florais para composição dos canteiros, que circundam os lagos e fontes. Além da coleção de estátuas de chumbo, inúmeras outras esculturas italianas de mármore, vasos e urnas foram adquiridas para a decoração dos jardins.

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Jardim do Palácio de Queluz visto do terraço do Pavilhão

Lago de Nereide – situado no mesmo eixo do Lago de Netuno, um pouco mais afastado do Palácio.  O conjunto escultório de autoria de John Cheere é dedicado às ninfas do mar.

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Lago de Nereide no Jardim Pênsil do Palácio de Queluz

Lago de Netuno –  criado por Robillion em 1771, apresenta um conjunto escultório trabalhado por John Cheere, centrado na representação de Netuno, Tethis e seu filho Aquiles. No entorno há uma série de outras estátuas do artista inglês:  “Primavera”, “Verão”, “Outono”, “Meleager e Atlanta”, “Vertumnus e Pomona”, além de “Marte” e “Minerva” que ladeiam a porta principal da Fachada de Cerimônia.

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Lago de Netuno projetado  por Jean-Baptiste Robillion  Imagem do site: https://artsandculture.google.com

JARDIM PÊNSIL (P) – O nome advém do fato de estar situado sobre um reservatório que recebe o excesso de água dos lagos.  Com traçado geométrico, é composto por labirintos e alamedas de buxo que partem da Fachada de Cerimônia e convergem para os lagos centrais.

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Estátua “Vertumnus e Pomona”   (no centro da foto)

JARDIM DE MALTA (Q) – localizado junto à fachada da Sala do Trono. Foi assim batizado em referência à Ordem de Malta, da qual D. Pedro III  foi Grão Mestre. Sua formação teve início em 1754,  com a encomenda de plantas procedentes da Holanda e a chegada do jardineiro holandês Geraldo Van den Kolk.

Ao longo do tempo esse jardim barroco foi sofrendo várias mudanças que o descaracterizaram. No final do século XIX, no reinado de D. Carlos, foram realizadas adaptações ao estilo preponderante na época: o romantismo. O plano para restabelecer sua configuração setecentista  definiu a necessidade de remoção de espécies arbóreas (porque nos jardins em estilo francês  as plantas não ultrapassam  20 cm de altura), para então reconstituir o desenho original dos canteiros, mediante um trabalho de topiaria (arte de podar plantas de forma ornamental), além da reinstalação dos quatro lagos que foram deslocados entre 1938/1939.

Adornando o espaço permanecem as esculturas representativas das artes: Música, Pintura, Escultura e Arquitetura oriundas do Mosteiro de  São Vicente de Fora (em 1918).

PORTÃO DA AJUDA– acesso à estrada de ligação entre o Palácio de Queluz e o Palácio da Ajuda, residência oficial  da Família Real até ser destruído pelo incêndio ocorrido em 1794.

Na saída do Palácio de Queluz, existe a opção de seguir pela Avenida Engenheiro Duarte de Pacheco, margeando o parque Urbano Felicio Loureiro, até a Av. de Sá Carneiro/ N117 (à esquerda) seguindo em direção a Praça da Paz, para chegar na Estação Monte Abraão (distância de cerca de 1,3 km) ou da Avenida de Sá Carneiro/N117  seguir pela Rua Direita de Massamá e virar à esquerda na Av. 25 de Abril seguindo até a Estação Massamá-Barcarena, que é bem mais longe (2,8 km).   Porém, o melhor mesmo é retornar para a Estação Queluz\Belas (distante menos de 1 km) porque não tem como se perder, ao contrário dessas alternativas.

Em direção a Sintra, é preciso ter cuidado para não desembarcar do trem na Estação Sintra-Portela, mas somente na seguinte, para então percorrer o bonito caminho chamado “Volta do Duche”, que conduz ao Palácio Nacional de Sintra.

Essa agradável cidade merece mais de um dia de visitação, para percorrer todas as atrações extremamente peculiares que oferece: Castelo dos Mouros, Palácio Nacional da Pena, Chalet e jardim da Condessa d’Edla; Abegoaria da Quinta da Pena; Quinta da Regaleira, Parque e Palácio de Monserrate, Quintinha de Monserrate e  Convento dos Capuchos.

E para levar doces lembranças, nada melhor do que saborear  os deliciosos  “travesseiros de Sintra” da doceria Periquita, na Rua das Padarias (que desemboca no largo em frente ao Castelo de Sintra) ou provar as “queijadinhas da Sapa” cuja loja da fábrica está localizada na Volta do Duche nº12 .